A
Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal (IEPP), tendo em consideração a passagem do
50º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem (DUDH), em Dezembro
próximo, e não pretendendo destruir a sua indivisibilidade mas por se sentir mais
directamente vocacionada e interpelada por alguns desses direitos, aprova o seguinte:
- Felicitar a Organização das Nações Unidas (ONU) pela elaboração e aplicação da
DUDH e dos Protocolos que lhe estão anexos, solicitando aos Estados que a assinaram e
ratificaram lhe concedam os meios humanos e materiais para a sua prossecução;
- Recomendar aos Estados membros da ONU que até à presente data ainda não ratificaram a
DUDH e os respectivos Protocolos o façam no mais curto espaço de tempo;
- Manifestar a sua preocupação pela violação dos direitos básicos da pessoa humana,
particularmente o direito à vida, e condenar a sua prática em muitos países do mundo,
incluindo algumas democracias ocidentais, nas quais se inclui o nosso próprio país;
- Afirmar que toda a doutrina dos Direitos Humanos assenta sobre a dignidade da pessoa
humana e que esta dignidade, segundo a nossa visão bíblica e teológica, é-lhe
conferida pela dimensão da "imagem e semelhança de Deus" (Génesis 1:26) com a
qual foi criada;
- Resistir a todas as estruturas e sistemas que, violando os direitos humanos, negam a
realização do pleno potencial dos indivíduos e dos povos. Como Igreja opomo-nos,
particularmente, a todas as formas de torturas, desaparecimento de pessoas, execuções
extra-judiciais e pena de morte;
- Denunciar todo o tipo de comportamento que concorra para denegrir a dignidade das
crianças, das mulheres e dos idosos, como os grupos mais vulneráveis das sociedades
actuais;
- Prestar uma atenção particular aos direitos dos jovens, ao papel criativo e
incompreendido que estão desenvolvendo nas sociedades actuais, reconhecendo o seu direito
pleno a terem uma voz profética nas estruturas, presentes e futuras, que afectam as suas
vidas e a das comunidades em que vivem;
- Comprometer-se, com as Igrejas irmãs ou com outras comunidades religiosas, assim como
com as autoridades políticas e sociais, a garantir e a defender a liberdade religiosa de
modo a que cada um, individual e colectivamente, tenha a oportunidade de viver a sua
crença de acordo com a sua consciência e possa divulgar e testemunhar as suas ideias
neste campo, sem que isso lhes traga qualquer espécie de discriminação social,
política ou económica;
- Pautar o seu testemunho e acção na defesa dos Direitos Humanos no espírito das
palavras do seu Senhor quando disse: "O Espírito do Senhor está comigo, por isso
me escolheu para levar a Boa Nova aos pobres, anunciar a libertação aos prisioneiros,
dar vista aos cegos, libertar os oprimidos
" (Lucas 4: 18 e 19)
Figueira da Foz, Junho de 1998 |