| Estudo 15- Amor de Deus e unidade |
| 1 João 4, 7-21 |
| José Manuel Leite (pastor presbiteriano) |
|
Introdução: O tema do amor e, especificamente, o do Amor de Deus, é um tema central e fundamental nas páginas do Novo Testamento. Quem não conhece os textos de S. João 3, 16, 1 Cor. 13 ou este da 1.ª Epístola de João? Muitos de nós ouvimo-los desde a nossa infância e mesmo os que começam a ler a Bíblia, sendo já adultos, rapidamente se confrontam com eles. No texto base que hoje nos é proposto encontramos inúmeras vezes a palavra amor e formas do verbo amar e encontramo-nos duas afirmações que, não sendo novas para nós, constituem a mensagem central do texto: Deus é Amor (vv. 8 e 16) e Deus nos ama (vv. 9, 10, 11, 16, 17 e 19). Muitos pensarão, sobretudo nos dias de hoje, que falar de amor é linguagem que pertence ao passado. Outros dirão que a palavra amor está gasta, corrompida, esvaziada de sentido. Sou dos que pertencem ao grupo dos que discordam deste tipo de argumentação justificativa para não usarem este termo, ainda que não deixe de compreender as razões dos que pensam de modo diferente. E é por causa dessas razões que me recuso a cruzar os braços e tento fazer o que estiver ao meu alcance para restituir à palavra amor todo o seu sentido e significado. A coisa mais simples é não ter vergonha da palavra amor! Afirmar que “Deus é Amor” e que “Ele nos ama” é um acto de fé. Todos os cristãos o devem dizer, viver e sentir. Mas este Deus que é Amor não o é só para nós, cristãos. “Deus amou o mundo de tal maneira…” (João 3, 16). É importante que o nosso testemunho seja dado junto dos que ainda não reconhecem que Deus é Amor e, muito menos, que Ele os ama. Mas como fazê-lo? 1. Seremos todos mentirosos? – “Se alguém disser: Eu amo a Deus, mas odiar o seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê… quem ama a Deus, ame também o seu irmão” (1 João 4, 20-21). Que sentido faz este texto para mim? É uma acusação, uma condenação, um desafio ou uma bênção? A resposta tem de ser, primeiramente, individual. Talvez nos custe dizer que temos sido mentirosos. Ninguém gosta de o reconhecer e, muito menos, ser conhecido como tal. Mas neste momento estamos confrontados com a Palavra de Deus, à qual nos devemos submeter e reconhecer a sua autoridade para nos julgar. Amar a Deus e amar o próximo! Duas dimensões do amor que não se podem, porque não se devem, separar. Esta a lição que de Jesus Cristo aprendemos quando Ele nos fala do “primeiro e grande mandamento”: Amarás o Senhor teu Deus…e o teu próximo como a ti mesmo ( Mat. 22, 37, 39). Eu amo a Deus porque amo o próximo e amo o próximo porque amo a Deus! 2. O que nos falta para não ser mentirosos? – Viver estas mensagens que acabamos de ler! Há mais de quarenta anos, dizia-me um saudoso professor do Seminário Evangélico de Teologia, o Rev. Eduardo Moreira: “O que falta ao crente não é saber mais da Bíblia mas viver aquilo que já sabe”. Palavras sábias e proféticas que, ao longo dos anos, nada perderam da sua actualidade e pertinência. Viver o que já sabemos pode, e deve, constituir um alvo e desafio constantes da vida cristã. Isto não significa que tenhamos de parar o processo da nossa formação e aprendizagem bíblica, que nos deverá acompanhar ao longo da nossa peregrinação terrena. Viver o que já sabemos significa praticar, passar à acção, os muitos ou poucos conhecimentos teóricos que temos da mensagem do Evangelho. Este Evangelho só é Boa Nova para o próximo quando passar da minha razão, e mesmo do meu coração, para a minha boca, as minhas mãos e pés e a minha… carteira. O meu amor ao próximo, e a Deus, não reside nos meus profundos conhecimentos bíblicos e teológicos. Jesus, durante o seu breve ministério terreno, não se cansou de ensinar e de praticar esse ensino. A sua autoridade foi reconhecida pela sua coerência entre o dizer e o fazer. E foi Ele que, após ter ensinado e vivido esse ensino, disse para os seus seguidores: Ide e ensinai e… assim como Eu vos fiz, fazei vós também. 3. Manifestar a unidade – A Igreja, enquanto Corpo de Cristo e Povo de Deus, é chamada a ser uma comunidade unida no e pelo amor. Mas esta, infelizmente, não é a realidade que se observa na maioria dos casos: famílias, que se dizem cristãs, cujos parentes não se falam, membros da mesma congregação com relações cortadas, responsáveis eclesiásticos, incluindo pastores, com poucas ou nenhumas relações entre si, Igrejas cristãs, de tradição ou denominação diferente, mais interessadas em defender o que as divide do que o que as une, etc., etc., etc.. Como podem os não-cristãos levar-nos a sério? Como pode ser credível o Amor que anunciamos? Que autoridade tem uma Igreja que assim se comporta? A Igreja do Senhor é, por definição, unida. Não somos nós que construímos a unidade da Igreja. Ela é a Igreja de “um só Senhor, uma só fé, um só baptismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos” (Efes. 4,5-6). A nós cabe-nos viver e testemunhar essa unidade, o que muitas vezes não é fácil, mas é fundamental. O amor “que é paciente, que tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Cor. 13), é o instrumento que devemos usar para fortalecer esta unidade que temos em Cristo e isto, como Ele próprio o disse, “para que o mundo creia...” (João 17, 20-24). A unidade da Igreja tem em si esta dimensão missionária e evangelizadora. A família de Deus tem de ser uma família unida e exemplo de unidade para os outros. 4. Questões para reflexão e discussão
a) Deus
Eu Próximo
b) Em seu entender, qual o caminho e/ou a estratégia a seguir para anunciar ao não-crente que Deus é Amor? Já experimentou fazê-lo? c) Pensa que o Rev. Eduardo Moreira estava certo quando dizia “mais importante que saber mais da Bíblia é viver o que já se sabe”? Porquê? d) Do que já sabe da Bíblia, dê exemplos do que ainda não pratica e tente justificar porquê? e) Como se pode, em seu entender, manifestar visivelmente a unidade da Igreja e das igrejas? f) Sente que a Igreja Presbiteriana (IEPP) é uma Igreja que se pode apresentar como exemplo de unidade? Se sim, diga porquê; se não, dê exemplos, locais, regionais ou nacionais, que impedem essa unidade. |