| Estudo 14- Compreendendo o princípio da contribuição cristã |
| “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, pois, fazer estas coisas, sem omitir aquelas”. |
| Mateus 23,23 |
| José Carlos Pezini (pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil/ Missionário da The Outreach Foundation of Presbyterian Church of USA) |
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Não há como tratar do assunto contribuição cristã, sem se falar em dízimos. Este ensinamento está presente em todas as denominações cristãs. E em nome dele muita gente boa tem cometido graves erros e pecados. Muitos líderes religiosos têm ensinado certos princípios que simplesmente não são verdadeiros a respeito da contribuição cristã. O pior é que, na maioria das vezes, fica clara a intenção de fazer uso deste ensinamento em benefício próprio. A falta de um exame acurado das Escrituras e a falta de compreensão sobre as leis das ofertas encontradas no Antigo Testamento tem levado muita gente a agir com uma postura ética duvidosa, afirmando que se contribuir fielmente você prosperará de maneira ilimitada, como se você estivesse colocando seu dinheiro em um tipo de caderneta de poupança cujos juros seriam ampliados infinitamente pela sua fé durante o ato de contribuir. Se o simples facto de contribuir garantisse a fartura e o suprimento de tudo o que desejamos, por que administrar? Orçamento seria um acto de falta de fé! Se fosse verdade que ia doar ou o ofertar garantisse automaticamente os recursos dos quais precisamos para viver uma vida confortável, não precisaríamos de controlo dos gastos. Não desejo aqui fazer o papel de estraga prazeres, mas posso dar a você a certeza de que as Escrituras não nos garantem, em nenhuma passagem, qualquer tipo de “lucro” ao sermos fiéis no acto de oferecer a Deus nossa contribuição financeira porque desejamos ver o reino de Deus se expandir na face da terra. A função da contribuição financeira na Bíblia tem como base o cuidado que devemos ter para com os pobres, os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. E além do mais, porque nós recebemos do Senhor a salvação em Jesus Cristo, e porque desejamos ver outros a receberem, contribuímos para que a igreja tenha condição de pregar a palavra de salvação com mais propriedade. Neste caso podemos afirmar que a contribuição financeira não oferece quaisquer garantias de segurança se não for acompanhada de uma série de posturas éticas, espirituais, como por exemplo a prática da justiça social (Jeremias 22,3), a honestidade (Provérbios 11,1; 20,23), a humildade (Lucas 18,14), o respeito ao ano sabático e ao jubileu, etc. O uso de textos para tentar coagir as pessoas a contribuir parte de uma interpretação errónea das Escrituras (Malaquias 3,10) por exemplo). Se você prestou atenção à leitura você deve ter notado que Malaquias fala em dízimos (plural) e não em dízimo (singular). Isto quer dizer que os israelitas tinham a prática de dar mais de um dízimo. Na verdade, a história diz-nos que havia três tipos de dízimos praticados no Velho Testamento. O primeiro era de acordo com a produção, o segundo era oferecido anualmente para a manutenção do Templo, e o terceiro era trienal, estabelecido com a intenção de favorecer os pobres. Além desse dízimo em três modalidades, havia o respigar. O respigar era praticado pelos lavradores, e consistia em não colher o que caía no chão. Este era deixado para os pobres. (Rute 2,2; Levítico 19,9; 23,22; Deuteronômio 24,19) Se prestarmos atenção nos números podemos dizer que os Judeus ofertaram uma média de 23% de seus rendimentos. A contribuição financeira é um princípio divino constituído em favor dos pobres, dos necessitados, incluindo os próprios levitas, que foram separados para o serviço de templo, para o ensino e para a divulgação dos princípios estabelecidos por Deus, princípios estes que visavam o bem estar e a prosperidade do povo. A eles não era permitido possuírem propriedades. Podemos afirmar que a contribuição financeira foi estabelecida por Deus com a finalidade de mostrar ao ser humano que tudo o que ele possui vem do Senhor e que, ao praticá-lo, cada um de nós demonstra gratidão pela fidelidade de Deus, além de criar um sentimento de misericórdia para com os pobres e necessitados. Em resumo podemos dizer que, como seres humanos, somos meros administradores dos recursos de Deus na terra. O alvo de Deus é cuidar das pessoas que ele criou à sua imagem e semelhança, bem como fazer sua vontade conhecida de todos os seres humanos através da pregação da palavra. Para que isto aconteça, é necessário que contribuamos a fim de que os pregadores e a igreja como instituição tenha condições de cumprir o propósito de Deus. Lembrando que antes de tudo, este é um acto de obediência a Deus e um acto de misericórdia para com os pobres e necessitados. |