| Estudo 13- A pregação e a política |
| Efésios 6, 5-9 |
| Viegas Bernardo (pastor presbiteriano) |
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Introdução Porquê falar de pregação e política nesta série de estudos bíblicos sobre o tema não tenham medo? Até que ponto uma e outra se influenciam na realidade? A análise do texto vai dar-nos algumas pistas. Comecemos por definir os termos. Para nós cristãos, pregação quer dizer proclamação da Boa Notícia vinda de Deus para as mulheres e homens de cada época. E, numa definição simples e prática, o termo política remete para as causas públicas de um povo ou nação, associadas à distribuição e exercício dos poderes que visam regular e manter a ordem e o bem comum. Tal como o apóstolo Paulo e os crentes em Éfeso, o cristão e a Igreja vivem e são chamados a proclamar a sua fé num contexto social específico onde a política é uma dimensão essencial da vida em sociedade. Portanto, pregação e política coexistem e a influência de uma sobre a outra assume, por vezes, carácter condicionante. Mesmo assim, não tenhamos medo da política! Cristo venceu. Nós também venceremos! Ler o texto O apóstolo Paulo exorta os escravos a obedecerem aos seus senhores/proprietários com toda a lealdade, como se obedecessem a Cristo. O empenho e a dedicação ao trabalho, independentemente da vigilância patronal, devem ser encarados como um serviço a Deus, que valoriza e retribui com justiça a escravos e livres. Paralelamente, exorta aos senhores a tratarem os escravos na mesma base, abandonando a violência verbal e física, tendo em conta que ambos estão sob o senhorio de Deus, para quem todos são iguais. Evitar os perigos duma leitura isolada do texto Infelizmente, os textos bíblicos são, muitas vezes, lidos e interpretados isolando-os do teor do livro em que estão inseridos ou do seu contexto social de origem. Tal aventura pode causar males irreparáveis à Igreja e à sociedade em geral. Por exemplo, à semelhança do que aconteceu com várias passagens bíblicas que abordam assuntos políticos, este texto já foi interpretado como se Paulo apresentasse uma doutrina para todas as situações. Nessa perspectiva, serviu para justificar a dominação do homem sobre a mulher e até mesmo para fundamentar e defender a continuação da escravatura no século XVIII. Para evitar esse perigo, o próximo passo é: Compreender o texto no livro e seu contexto social Este trecho enquadra-se numa exortação mais abrangente (5,22 a 6,9) sobre as relações sociais no seio da família onde estavam, normalmente, integrados os escravos particulares. Numa sociedade patriarcal e esclavagista, a tensão característica das relações laborais - entre senhores e escravos - reflectia-se no ambiente doméstico e punha em causa a estabilidade da família e da própria ordem social vigente. Na comunidade de Éfeso havia escravos, homens livres e senhores cujas relações não eram necessariamente pacíficas. Como poderia Paulo falar aos efésios da Igreja como família e corpo de Cristo, composta por judeus e não judeus, escravos e senhores, unida pelos vínculos do amor e nutrida pelos dons do Espírito Santo (5,1 a 5,2), omitindo os graves problemas sociais e políticos que a destruíam por dentro? Ou como poderia ele fazer da igreja de Éfeso uma comunidade caracterizada pelo "homem novo" no meio de muitas coisas velhas opostas à santidade e à obediência absoluta a Cristo, sem contribuir para a pacificação da família que é o núcleo da Igreja e da sociedade? A leitura da epístola faz notar que a situação real da igreja de Éfeso induziu Paulo a falar de política na sua pregação. Todavia, sem querer revolucionar o rígido sistema político vigente, Paulo apontou um caminho evangélico que consistia em subordinar todas as regras de vida a Cristo de modo que todos quantos aderissem pudessem encontrar vantagens significativas. Cada grupo-alvo da exortação podia facilmente vislumbrar e esperar resultados práticos. Amadas e respeitadas, as mulheres tinham paz e serviam carinhosamente os maridos enquanto estes se sentiam honrados; os filhos obedientes obtinham o necessário apoio, contribuindo para a felicidades dos pais. Os senhores desistiam da violência em troca de lealdade, motivação e dedicação dos escravos ao trabalho e estes conquistavam tratamento pacífico e respeito. Paulo sabia que todos iriam ganhar algo importante graças ao fermento do amor e da obediência a Cristo. Um exemplo para reflectir: senhor e escravo em Cristo Leiamos a epístola de Paulo a Filémon e relacionemo-la com o texto em estudo. Que atitude e comportamento esperava Paulo do escravo fugido e do seu proprietário? A pregação e a política no nosso contexto A Palavra de Deus interpela-nos a tomar posição uma clara e agir em conformidade. Apreendemos com o apóstolo Paulo a observar, reflectir e agir em socorro da vida, das pessoas, da família, lançando mão do exemplo de Cristo e seus seguidores, recorrendo sobretudo à espada do espírito, a Palavra de Deus (6,17), que penetra profundamente no amado do ser humano e o ajuda a transformar-se a partir de dentro. Como vai a família na nossa sociedade? Como estão as relações entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre patrões e empregados? Propostas de actividades em grupo 1. Recolher informação sobre a violência doméstica, identificando os agressores, as principais vítimas, causas da violência, etc., na área da Comunidade, distrito ou o país inteiro. Identificar as respostas legais, institucionais que existem para apoiar as vítimas e sancionar os agressores. O que pode um cristão ou a sua comunidade local fazer? 2. Pensemos, por exemplo, na difícil questão do aborto ou interrupção voluntária da gravidez. Imaginemos o impacto que tem na vida de milhares de mulheres e famílias bem como na exploração desenfreada dessas situações de fragilidade face à falta de serviços públicos gratuitos e da desprotecção legal. Qual será a postura a assumir na discussão pública, nos movimentos sociais e no referendo? |