| Estudo 10- Chamados em Cristo para sermos comunidades que reconciliam e curam |
| “Cura-me, Senhor, e ficarei curado; salva-me e serei salvo.” |
| Jeremias 17,14 |
| Andreas Ding (pastor presbiteriano) |
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“Vem Espírito Santo, cura e reconcilia! – Chamados em Cristo para sermos comunidades que reconciliam e curam” foi o tema da Conferência do Conselho Mundial de Igrejas sobre Missão e Evangelização, realizada em 2005, em Atenas. A Conferência constata que neste mundo e em muitas comunidades cristãs operam espíritos maus: espíritos de violência, opressão, exclusão, separação, corrupção, egoísmo, ignorância, da falha da prática da fé e do silêncio medroso perante a injustiça. Mas, assim ela lembra-nos, “Deus, por meio de Cristo, reconciliou consigo a humanidade, não tendo em conta os seus pecados e encarregando-nos de anunciar a obra da reconciliação” (II Cor 5,19). Reconciliação é cura. E cura passa pela reconciliação. Cura e reconciliação são dois lados da mesma medalha: da nova humanidade iniciada em Jesus Cristo, do nosso renascer para o Reino de Deus. São muitos os textos no Novo Testamento que falam da cura, dos quais mencionamos só alguns. Podemos dividi-los em seis categorias: 1) Curas individuais de Jesus: Marc. 1,21-28; Mat. 8,14-15; Luc. 9,30-43; João 9,1-14; 2) Cura colectivas de Jesus: Marc. 1,32-34; Mat. 12,15-21; Luc. 7,18-23; 3) Curas em geral: Marc. 6,56; Mat. 4,23; Actos 10,38; 4) Jesus cura através dos discípulos: Marc. 6,7-13; Mat. 10,1.7-8; Luc. 10,1-20; 5) Curas individuais dos discípulos: Actos 3,1-4.22; 9,32-35; 14,8-18; 20,7-12, 28,8 e 6) Curas colectivas dos discípulos: Marc. 16,20; Actos 5,12-16; 8,5-8; 19,11-12. Os textos bíblicos testemunham que Jesus Cristo oferece e traz liberdade do pecado, do mal, do sofrimento, da doença, da falta de amor e da desunião (Luc. 4,16ss; Mat. 11,2-6). Ele é sensível às necessidades das pessoas, especialmente dos vulneráveis (Luc. 8,42b-48), sabe escutar e é flexível na sua compreensão e acção (Marc. 7,24b-30), age rapidamente quando confrontado com o sofrimento (Luc. 13,10-13) e tem autoridade sobre as tradições e os espíritos maus, as forças que deformam e destroem a vida, incluindo a morte (Luc. 7,11-17; João 11,11; Marc. 5,35-43). Algumas passagens bíblicas falam dos demónios e espíritos maus como causa de doenças e o exorcismo torna-se em consequência uma forma de cura (Marc. 1,23-28; 5,9; 7,32-35; Luc. 4,33-37; Mat. 8,16; João 5,1-8). Cura plena no sentido de Jesus significa um restabelecimento completo do corpo, da mente e da alma. A saúde tem dimensões físicas, psíquicas/mentais e espirituais; sendo o indivíduo um ser social, tem também uma dimensão social, e havendo uma interacção entre o meio ambiente e as pessoas, a saúde tem ainda uma dimensão ecológica. Em resumo, saúde é “um estado dinâmico de bem-estar do indivíduo e da sociedade: bem-estar físico, mental, espiritual, económico, político e social, um estar em harmonia uns com os outros, com o meio ambiente e com Deus” (Conselho Mundial de Igrejas). A preocupação com a saúde do próximo foi um dos pontos fortes da missão da Igreja Primitiva e o seu ministério de cura tornou-se um dos factores do seu crescimento. Para os primeiros cristãos, o divino já não estava associado aos ideais da filosofia grego-romana de uma existência no belo saudável e perfeito, mas creram num Deus que viveu em Jesus Cristo experiências humanas de fragilidade, sofrimento e morte. Esta nova compreensão de Deus transformou profundamente as atitudes da comunidade de fé frente aos doentes, idosos, moribundos, viúvas e pobres. Já não consideravam a pessoa em sofrimento como algo contra a natureza, como muitos do seu tempo que em consequência as entregavam ao seu destino. Para os primeiros cristãos, a pessoa em sofrimento estava no centro do amor de Deus, não por uma questão de ética ou até de pena, mas porque foi o próprio Deus que passou pelo sofrimento e assim se solidarizou com ela. As comunidades cristãs estabeleceram então os mais variados ministérios de cura e de ajuda ao próximo. A sua teologia e prática de fé radicalmente novas revelaram-se de suma importância para o sucesso missionário da Igreja Primitiva. Embora o pecado e o mal tivessem sido superados em Cristo, existem ainda muitos desastres, fragilidades, deficiências e doenças físicas, mentais, espirituais, sociais e ecológicas que parecem negar a chegada do Reino de Deus. O sofrimento continua no período entre a Páscoa e o fim da história. Mas o Espírito Santo fortalece a Igreja para a sua missão de curar e reconciliar e capacita os crentes para fazer frente à doença e ao sofrimento: pela proclamação da palavra de Deus como mensagem de esperança e conforto, pela celebração da eucaristia como sinal de reconciliação e renovação, pela oração de intercessão a favor de todos e dos doentes em especial, pela recepção calorosa de pessoas novas e a sua integração na comunidade e pelo estabelecimento de uma rede de suporte mútuo. Estas atitudes podem ser uma primeira resposta da comunidade à pessoa em sofrimento. Deus, o Espírito Santo, é fonte de vida para o crente e a comunidade. Ele continua o ministério de cura e reconciliação de Cristo na e pela Igreja e dá-lhe os dons necessários para a realização da sua missão: a oração pelos doentes e enlutados, a imposição das mãos, o consolo, a bênção, a unção com óleo, a confissão, arrependimento e perdão, a cura de memórias dolorosas ou de relações perturbadas dentro ou fora da família, o exorcismo, a oração meditativa e a profecia. Estes dons devem ser encorajados e espiritualmente alimentados, mas também pastoralmente acompanhados e eclesialmente supervisionados. Os ministérios de cura não são meras técnicas ou capacidades profissionais, nem se restringem a certos rituais. São atitudes profundamente enraizadas na pessoa cujo desenvolvimento depende da sua espiritualidade e disciplina: da maneira como crê e confia em Deus, como compreende e exerce o discipulado, como lida com a sua dimensão corporal e as limitações do espaço e do tempo, como enfrenta o sofrimento, a dor e a doença, como come e jejua, como ora, medita e fica em silêncio para dar espaço ao Espírito de Deus. Estamos a viver o já do Reino de Deus, a reconciliação e cura no aqui e agora; e ao mesmo tempo o seu ainda não, a ainda dor, sofrimento e morte. A nossa existência tem o sinal deste conflito permanente entre o já e o ainda não: num mundo marcado pela fragmentação e sofrimento vivemos pelo poder do Espírito Santo a dimensão da cura, do restabelecimento do corpo, da mente e da alma, as primícias da integridade final do ser humano e da criação. Chamados em Cristo para sermos comunidades que reconciliam e curam... até que Jesus Cristo entregue o Reino ao seu Pai, livre de doença, sofrimento e morte (Apoc. 21,4).Questões sobre nós como comunidades de cura: 1. Acha que a Igreja se deve comprometer com a cura? Em que áreas? 2. A maneira como pessoas novas são recebidas na sua comunidade é um passo para a sua cura? Como são integradas e em que? O que é que se poderia mudar? Como? 3. Há cultos especiais de cura ou ministérios especializadas de cura na sua comunidade? Quais poderiam ser as razões da sua (não) existência? O que é que se poderia mudar? Como? Questões para estudos de histórias bíblicas de cura: 1. Responder às seguintes questões:
2. Iniciar uma conversa com o/a doente da Bíblia, sobre a sua doença, seus sentimentos e sua maneira de lidar com a doença. E depois falar com Jesus sobre si, a sua doença e o seu pedido de cura. |