| Estudo 8- Deus intervém na história através de nós |
| Isaías 44,1-5 |
| Eunice Alves (pastora metodista) |
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Introdução: Se afirmamos que Deus intervém na História é porque reconhecemos a presença e a acção divinas nas sociedades humanas, nos povos ou nações, transformando o curso dos acontecimentos que lhes dizem respeito, tornando-os significativos aos olhos da fé. Se dizemos que Deus intervém na História através de nós – o seu povo - é porque entendemos que Ele considera a nossa participação importante – e até mesmo indispensável - na trama das relações, e dos conflitos, entre humanos, e dos humanos com Deus. Estas afirmações vão na linha da interpretação bíblica, “uma interpretação caracteristicamente religiosa da História, que vê a vida social do homem, bem como a sua vida individual, como a arena dos juízos morais de Deus, e o curso da História, com toda a sua relatividade, e as suas ambiguidades, como conformando-se, por fim, à vontade de Deus”(1) A maior evidência, para a fé cristã – e, naturalmente, para o judaísmo – da intervenção divina, encontra-se nos acontecimentos determinantes da história de Israel, o povo inicialmente eleito por Deus para ser “luz entre as nações”, para ser seu interveniente na história do mundo. Palavras de consolo e esperança em tempos difíceis O texto de hoje aponta-nos para um desses acontecimentos que, interpretado pelo profeta, o faz proferir palavras de consolo e de esperança, palavras de salvação: “Não temas, Jacó, meu servo, Jesurun (2), a quem escolhi, porque derramarei água sobre o solo sedento e correntes sobre a terra seca. Derramarei o meu espírito sobre a tua raça e a minha bênção sobre os teus descendentes…” (3) (Is. 44,1-3). E, no capítulo anterior, lemos ainda: “…Não temas porque estou contigo, do Oriente trarei a tua raça, e do Ocidente te congregarei. Direi ao Norte: “Entrega-os!” e ao Sul: “Não os retenhas!” Reconduz os meus filhos de longe e as minhas filhas dos confins da terra…” (Is.43,5-6). (3) Neste texto de Isaías, embora cego e surdo aos acontecimentos que se vão desenrolando à sua frente (Is.43,8), Israel acaba por se tornar uma testemunha, involuntária, da soberania de IAVÉ sobre as nações e os seus deuses: “Vós sois as minhas testemunhas…eu sou Deus, desde toda a eternidade eu o sou…quando o faço, quem poderá desfazer?”(3) (Is.43,12b-13). Qual a situação de Israel quando Deus pronuncia estas palavras através do seu profeta? Grande parte do povo de Deus encontrava-se à muito no exílio, na Babilónia, quando surge a notícia das vitórias dos Persas pela mão de Ciro II, o Grande. Com a sua conquista da Babilónia, sem qualquer resistência, no ano 539, Ciro está prestes a libertar os povos aí exilados. Isaías, reconhecido como profeta de Deus, vai interpretar este acontecimento iminente como um anúncio de salvação da parte de IAVÉ, o Senhor: o seu povo em breve seria libertado do longo cativeiro na Babilónia e iria regressar à Terra Santa. Seria como um segundo Êxodo, ainda mais extraordinário do que o primeiro! Para aquelas pessoas desalentadas, perplexas e apreensivas pelo seu futuro, as palavras de Isaías são, de facto, consolação e esperança. Elas reforçam a sua fé e a sua confiança num Deus que, sendo o único Senhor de tudo quanto é criado e cujo poder se manifesta no universo, é também Aquele que elegeu Israel e cuja fidelidade se manifesta na História. Eleitos para anunciar a intervenção salvadora de Deus Este Deus é Aquele que se manifesta em Jesus Cristo e que, através de uma nova aliança, pelo seu sangue, entra no curso da História para libertar os seus intervenientes, isto é, todo o ser humano, e dar assim origem a um novo povo – supremamente caracterizado nas palavras de I Pedro 2, 9: “ Vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” Nós, Igreja de Cristo, pertencemos a este povo que, libertado do exílio que representa o afastamento de Deus (4) é agora sua pertença particular. Porém, tal como o povo de Israel no passado, nós fomos eleitos com uma finalidade: para anunciar “as excelências” (5) daquele que nos chamou. Por outras palavras, Deus nos elegeu para sermos testemunhas do seu poder e do seu amor em Jesus Cristo; para nos transformarmos em profetas que proclamam as boas novas da salvação: o “exílio” é passado, vivamos o presente e o futuro à luz da libertação de Deus! Só quando respondemos positivamente a esta comissão, quer individualmente quer em Comunidade, nos podemos tornar verdadeiros instrumentos de Deus na sua intervenção transformadora, na nossa própria história e na história da humanidade. Algumas sugestões para reflexão em grupo:
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Como vivemos essa extraordinária intervenção de Deus: - na nossa história pessoal? - na história da nossa Igreja ou comunidade cristã local? - Reflicta sobre alguns dos problemas ou conflitos actuais que afectam o mundo e afligem a nossa sociedade. Como acha que Deus pode intervir, através de nós, nessas situações ?
Notas: (1) R.B.Y. Scott, “Os Profetas de Israel, nossos Contemporâneos”, Ed. Aste, São Paulo 1968, pag.139 (2) Poder-se-á traduzir como “o Reabilitado” de 42,19. Este título designa Israel e caracteriza a nova “rectidão” que lhe é concedida por Deus, Este título aparece unicamente aqui, em Deuteronómio 32,15 e 33,5 e 26. (3) Citação a partir da Bíblia de Jerusalém (4) “Trevas”: o pecado, considerado como afastamento/alienação de Deus. (5) Vocábulo retirado do texto de I Pedro 2,9, traduzido pela Bíblia de Jerusalém. |