| Estudo 6- Deus está do nosso lado |
| Romanos 8, 31-39 |
| Rui Narciso (pastor presbiteriano) |
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O que pode levar uma pessoa a deixar a vivência da fé e abandonar a Igreja? Muitas vezes encontramos pessoas que nos dizem, por qualquer razão, que agora vão viver a fé na sua casa e à sua maneira. Lembremo-nos que no Novo Testamento a fé é vivida em Comunidade e é a fé da Igreja no seu todo que é realçada. Podíamos fazer uma lista de motivos que podem levar muitos crentes a abandonar a Igreja e a fé. Iremos destacar apenas duas razões. Uma - a procura demasiada dos bens desta vida e do sucesso. São pessoas que encontramos todos os dias, que andam preocupadas com o trabalho, ou demasiado à roda da casa, ou procurando de festa em festa colmatar o seu vazio, etc. Pessoas que podem ter vários empregos, para poder fazer face ao nível de vida alto que almejam ter, ou que, tomadas pelo espírito do tempo, querem ter cada vez mais riquezas para poder ostentar. Uma pessoa tão preocupada com as coisas desta vida não terá tempo para Deus. É a situação daquela pessoa que, na Parábola do Semeador (Mateus 13, 1-23) contada pelo Senhor Jesus, ouviu “a palavra do reino” mas os cuidados desta vida e o desejo de riqueza sufocam a Palavra e esta não dá fruto. É o caso da Palavra que caiu entre espinhos (vv.7 e 22). Outra razão – o advento de problemas e de dificuldades. São pessoas que aceitaram a fé com alegria e a viveram com muito entusiasmo. Porém, quando os contratempos chegaram, as pessoas desanimaram e abandonaram a fé. É a situação, referida na mesma Parábola, da pessoa que ouviu a Palavra, mas chegado o tempo da angústia e da perseguição não aguenta. É o caso da Palavra que não tem raízes fundas porque caiu entre pedregais (vv.5 e 20-21). Uma das razões porque o apóstolo Paulo escreveu a Carta aos Romanos foi a de fortalecer a fé àqueles irmãos e irmãs que viviam num ambiente de muitas dificuldades e tribulações, que talvez se interrogassem sobre o que fazer nos momentos de tribulação. Paulo fala mesmo das “aflições do tempo presente” (Rom. 8,18). O capítulo 8 da Carta fala-nos da nova vida que o crente em Jesus é chamado a viver, e que deve ser vivida sob a acção do Espírito Santo, debaixo da graça. A vida no Espírito é a vida que se opõe à vida na carne, sendo que esta nos afasta do projecto de Deus. É no mesmo capítulo 8, que encontramos um vitorioso Hino ao amor de Deus (Rom. 8, 31-39). Neste Cântico, o apóstolo começa por perguntar “quem acusará os escolhidos (do grego eklektós – eleito, escolhido, termo aparentado à palavra santo) de Deus?” (v.33). “Quem condenará?”(v.34). Levados ao julgamento ninguém os acusa, porque o próprio Deus os justifica. É este tema da justificação um dos temas da Carta aos Romanos. Também ninguém os condena, pois o próprio Jesus deu a sua vida por nós e ressuscitado, está junto de Deus e intercede pelos escolhidos. Depois, Paulo pergunta: “Quem nos separará do amor de Cristo?” A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a pobreza, o perigo, a morte? (v.35). Eis agora aqui um rol de problemas e sofrimentos que podem levar o crente ao desânimo e ao abandono do Caminho. Paulo conheceu bem as dificuldades da vida e do testemunho. Veja-se o seu desabafo (2ª Cor. 11, 24-33). Cinco vezes recebeu dos judeus uma quarentena de açoites menos um, foi espancado, apedrejado, naufragou três vezes, esteve um dia e uma noite perdido no mar, sofreu perigos nos rios, no meio de ladrões, no deserto, no mar e mesmo entre falsos irmãos. Suportou muitos trabalhos e muitas canseiras, noites sem dormir, fome e sede, muitos dias sem comer, passou frio e falta de roupa. Além disso, tinha de carregar consigo o peso das preocupações de todas as igrejas. É este mesmo Paulo que hoje tem autoridade para perguntar “Quem nos separará do amor de Cristo?” Depois enumera as sete tribulações (Rom. 8,35) e refere ainda, para além daquelas situações, as forças angélicas, demoníacas ou astrológicas hostis ao ser humano (vv.38 –39). Todos nós sentimos, muitas vezes, que as dificuldades da vida nos submergem e nos levam ao desânimo. É nestas horas, sobretudo, que devemos escutar o Cântico do amor de Deus. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?(v.1); “Aquele que nem o seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como é que não nos dará tudo com o seu Filho? (v.2); “Em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou” (v.37); e “Nada nem ninguém nos poderá separar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo, nosso Senhor” (v.39). Neste Cântico de vitória é-nos mostrado o amor de Deus para com todos nós, amor revelado em Jesus Cristo. Em todas as horas sabemos que Deus está connosco, e é esta fé que nos leva a enfrentar a vida com confiança e segurança. A confiança de podermos dizer que Deus é nosso Pai: “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de adopção de filhos, pelo qual clamamos: Abba, Pai”(vv.14-15). Para reflectir em Grupo: 1 - Lembrar casos de pessoas que, com a adesão a Cristo, se entusiasmaram e viveram a vida da fé com alegria, mas que depois sobrevindo as dificuldades tudo abandonaram. Como devemos agir face a tais situações? 2 - Lembrar momentos de tribulação em que cada um, ou o todo como Comunidade, sentiu que a sua fé saiu fortalecida. Contar experiências em que se sentiu a Presença de Deus. |