| Culto dominical |
| 12/02/2006 |
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Pastor estagiário Pedro Brito |
Meditação sobre Marcos 1, 40-45A Lepra, que, ainda hoje subsiste, sempre foi considerada uma doença grave e perigosa. No Livro do Levítico é dada uma particular importância à doença, havendo leis próprias para quem fosse ferido por este tipo de doença. Leis para quem a tinha, leis para quem queria tratar-se e leis de agradecimento para quem ficasse curado. Daqui se explica porque Jesus disse para o leproso: “Vai primeiro ao sacerdote, para ele te examinar, e pela tua cura oferece o sacrifício que Moisés determinou, para que saibam que estás curado”. Podemos ler essas normas em Lev 14. Eu disse que havia leis próprias a quem fosse ferido pela Lepra, porque, era assim considerada esta doença: uma ferida de Deus. Uma espécie de castigo, pelos pecados graves dele ou da família, dos antepassados. Daí vermos os amigos de Job, também ele afligido pela Lepra, a dizer-lhe, para se arrepender dos seus pecados, pois foi certamente por ter pecado muito que Deus lhe infligiu tamanho sofrimento. Ora, Job era um Homem justo e temente a Deus, e no entanto, também ele foi afligido pela Lepra. “Que mal fiz eu a Deus”, um eco que ressoa também nas nossas vidas…O leproso deveria ser atirado para fora da comunidade, para longe, para não contaminar ninguém com a sua doença. Como alguém que era visto como um pecador a quem Deus castigou, o leproso, não só ficava fora da comunidade por razões de saúde pública (ele devia gritar “Impuro, impuro” para avisar quem viesse perto), mas também por razões morais. O leproso era mal visto em todos os aspectos pela comunidade, e, naquele tempo, ficar fora da comunidade era sentir-se quase como um “morto”. Ora, o encontro de Jesus com o Leproso, quebra no fundamental todas as leis e concepções que diziam respeito ao Leproso, excepto uma: 1º- É muito estranho, um leproso, que era suposto ficar longe e gritar “impuro, impuro”, chegar-se perto de Jesus. 2º- Mais estranho ainda é Jesus tocar-lhe com a mão, sujeito a ficar também ele com a Lepra. 3º- O homem curado da lepra por Jesus, em vez de obedecer respeitosamente a vontade de quem lhe fez bem, desobedece-lhe e vai espalhar o que se tinha passado. A excepção: o pedido de Jesus ao leproso curado, para não falar a ninguém, para ir cumprir a lei de Moisés, no que diz respeito a examinação da cura. Porquê manter o segredo? Se Jesus era o Messias, porquê manter o segredo, quando os judeus esperavam precisamente, que o Messias acabasse definitivamente com a Lepra. Boa altura, para se anunciar, não acham…? Mas Jesus quis manter o segredo messiânico ainda assim. Porque o Messias não é alguém que cura só a Lepra ou outros males físicos, ele não é só alguém que expulsa os espíritos maus, como lemos na semana passada, ele é alguém para além disso, e ainda não tinha chegada hora de se perceber quem é verdadeiramente Jesus o Cristo (o Messias)! E no entanto, aqui neste texto no final do primeiro capítulo de Marcos já temos umas fortes pistas para sabermos quem é Jesus. 1ª- Alguém que é suposto, ficar longe e gritar a avisar “impuro, impuro”, chega-se perto?! Que poder de atracção não deveria ter Jesus. Como é que eu, o mais impuro da sociedade em todos os sentidos, arranjo coragem para ir ter com Jesus para ele me tornar puro, mas me limpar! Será que, nós, ainda que nos sintamos os mais impuros sob qualquer ponto de vista, sentimo-nos atraídos pelo poder de Jesus? Temos coragem de chegar ao pé dele? 2ª- Jesus não tem medo do leproso, do impuro e dá-lhe a mão. Jesus destrói toda a concepção de um Deus que castiga severamente quem peca. Jesus vem nos mostrar um Deus que perdoa, que deixa que o impuro chegue até Ele com o desejo de se limpar. Jesus vem-nos dizer que Deus chega perto e nos toca com a Sua mão de amor que deseja que vivamos verdadeiramente. Sentir a mão do Filho Deus que me limpa! Sentir-me limpo pelo poder do toque do Amor de Deus que perdoa e purifica! Será que nós também nos sentimos limpos, será que conseguimos finalmente deixar a prisão da culpa e viver esse poder do perdão de Deus vivido por Jesus? 3ª- Quando o leproso foi curado, ele não pôde estar calado. Ele foi anunciar o que tinha acontecido. Será que nós, uma vez tocados por esse poder do Deus de Amor, conseguimos ficar calados, incapazes de anunciar aos outros que ainda não sentiram a mão de Jesus que limpa, que também eles merecem ser limpos, sentiram-se puros, perdoados, pacificados, abençoados, Vivos!! Conseguiremos ficar com a vida, só para nós? É neste sentido que escreve o apóstolo Paulo. Nada é impuro em si. Tudo se pode fazer desde que tenha Deus como principio, meio e fim. Desde que seja para dar louvor a Deus, posso me relacionar com qualquer pessoa, devo dar a minha mão a quem quer que seja, seja muçulmano, cristão, judeu ou até ateu, desde que seja em delicadeza e amor, a exemplo de Cristo que tocou com a sua mão a mais impura das pessoas, a mais escorraçada das pessoas na sociedade. Será que não temos medo de, a exemplo de Cristo (como diz o apóstolo Paulo), tocar as mãos dos que estão impuros? Tocar com o amor que perdoa e limpa? Será que não temos medo de anunciar com palavras que fomos limpos, que fomos salvos pelo toque de perdão de Deus em Jesus, mas também de anunciar por gestos contagiantes desse mesmo perdão? Paulo diz: “Façam como eu, que procuro ser delicado para com todos, não pelo meu interesse, mas pelo bem de todos, para que possam salvar-se”. Será que queremos o bem e a salvação de todos ou ficamos agarrados à nossa salvação, ao nosso bem? Deus nos ajude a ser como Paulo, imitadores de Cristo, seguindo o seu exemplo de dar a mão da salvação, do amor, do perdão que limpa, a todos! |