| Culto dominical |
| 20/11/2005 |
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Pastor estagiário Pedro Brito |
Meditação sobre Mateus 25, 31-46Que dizer acerca destas palavras de Jesus, que nos são transmitidas pelo Evangelista Mateus? Elas parecem bastante óbvias e claras. O dia da vinda definitiva do Senhor Jesus Cristo, o dia do Juízo, o fim dos tempos irá chegar. Não se saberá quando (Mt. 24: 36; 25: 13), nem o dia nem a hora, mas chegará. E quando esse dia chegar, o Senhor há-de separar os justos dos injustos. Os justos irão para a vida eterna, os injustos para o castigo eterno. Os justos são os que aos irmãos mais pequeninos, mais insignificantes deram de comer quando estes tinham fome, deram de beber quando tinham sede, sendo estrangeiros deram hospedagem, andando nus deram de vestir, estando doentes foram visitar, estando presos foram ver. Os injustos são aqueles que não fizeram isso. Os justos para a vida eterna, os injustos para o castigo eterno. Para Mateus, este é a última pregação de Jesus antes de ele definitivamente iniciar o seu caminho que o levará à morte. Este é o último aviso de Jesus para aqueles que o ouvem em relação à necessidade de conversão. Vale a pena recordar os outros dois avisos do restante capítulo 25 de Mateus: 1. A parábola da dez virgens que nos alerta para a necessidade de manter sempre a luz da candeia acesa para que quando o Noivo chegar a escuridão não impeça de ir ter com ele. Pois, se o azeite se acabar e tiver que se comprar outro, aí será demasiado tarde. Já o Noivo tem as portas fechadas. 2. A parábola dos talentos que nos diz que os talentos que são dados não são para enterrar, pois se assim for, esses talentos enterrados serão retirados a quem os tem e serão dados a quem os não enterrou, a quem os partilhou a quem arriscou com os talentos que tinha. Na 1ª parábola Jesus alerta para nos mantermos sempre prevenidos com o azeite que alumia as vidas. Esse azeite que é a fé num Deus presente que constantemente faz viver plenamente o já e o agora do amor levado à prática e que é essa luz que nunca se apaga ainda que a escuridão nos tente fazer adormecer. O azeite da fé em Deus alimenta a luz do amor praticado constantemente sem adormecimentos de morte, mas no alerta constante da vida plena. Na 2ª parábola Jesus é um pouco mais claro. Os talentos que Deus nos deu, como por exemplo o talento da vida não podem ser enterrados, têm que ser partilhados com os outros, com o mundo, pois só assim, tomando o risco de partilhar a vida é que viveremos plenamente. Enterrar o talento é deixar de viver. Deixar de partilhar o talento da vida e todos os outros talentos que temos e que são sinais da presença do Espírito Santo que dá a vida em nós, é escolher a morte, e então só resta pegar nesse talento da vida que alguém enterrou e dá-lo a outro para que esse outro que a soube partilhar viva e não morra. Neste terceiro aviso que Jesus faz, Ele é ainda mais explícito, mais claro para quem ainda não tenha percebido. Quem vive a vida eterna, quem espera no Senhor, quem tem fé que ele virá um dia para julgar os vivos e os mortos, como diz o credo dos apóstolos, estes vivem já a prática de uma esperança futura. A fé, a esperança, a vida em Deus não é amanhã permanentemente adiado, é um hoje vivido como se o passado, o presente e o futuro se unissem num só momento: o agora de Deus em que Ele é tudo em todos como nos diz Paulo. Todos os momentos, todos os gestos, toda a vida é o amor de Deus concretizado. Dizer isto assim, embora possa parecer belo, ainda é demasiado abstracto. Por isso Jesus é bastante concreto no que nos diz hoje. Ele diz: viver o hoje da vida eterna em Deus, concretizar a fé, a esperança, o amor em Deus é: dar de comer a quem tem fome…a um dos irmãos mais pequeninos/insignificantes. Estes gestos são sinais que a vida eterna está em vós, vós já a viveis quando assim o fazem. Mas quem são os nossos irmãos pequenos? São aqueles que são pequenos em altura, as crianças? São os que são mais pequenos em dinheiro, os pobres? São os que são mais pequenos em poder político ou até religioso? São os mais pequenos em integração social, os imigrantes e marginalizados, os sem-abrigo? Quem são os nossos irmãos mais pequenos e que precisam da nossa luz, dos nossos talentos, da nossa ajuda, da nossa vida? Jesus neste último aviso antes de caminhar rumo à sua morte, foi bastante claro acerca da maneira como viver o Hoje do amor eterno em Deus, mas mesmo assim não foi suficientemente claro para que nós deixássemos de ser livres para no concreto da vida agora, nós próprios tomássemos a decisão de olhar para a nossa volta e descobrir o irmão mais pequeno agora, hoje, neste momento. Quem precisa hoje da minha luz? Quem precisa hoje do meu talento? Quem precisa hoje do meu amor, da minha esperança, da minha fé, da minha vida? Quem é meu irmão mais pequenino que precisa de encontrar hoje a vida eterna que há em mim? “Todas as vezes que fizeram isso a um destes irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizeram.” Que aquilo que Jesus fez em nós pequeninos que somos, a participação na vida eterna, possamos nós também fazer aos outros. Para que a luz da vida vença as trevas da morte, para que a vida seja partilhada e não morra enterrada. Para que a vida eterna chegue a todos e por todo o universo aconteça. |