| Culto dominical |
| 06/11/2005 |
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Pastor estagiário Pedro Brito |
Meditação sobre Mateus 25, 1-131 Tess. 4, 13-18. Esta carta de Paulo, segundo os entendidos, é o texto mais antigo no N.T. É o que está mais próximo do Jesus que andou com os discípulos, deve ter sido escrita por volta do ano 50 d.C., ou seja 10 a 20 anos, depois da morte e ressurreição de Jesus o Cristo. Nesta altura, os crentes esperavam ansiosamente pela segunda e definitiva vinda do Senhor. É o próprio Jesus que o diz nos evangelhos sinópticos que não passaria aquela geração até que tudo se cumprisse. (Lc.21, 29-33 e pp.). E estas palavras misteriosas foram transmitas nas primeiras comunidades cristãs e foram interpretadas dessa maneira: Jesus iria vir novamente e brevemente para de uma vez por todas trazer a salvação. O dia do Juízo chegaria em que finalmente os homens seriam julgados pela sua fidelidade a Deus. O dia do Senhor viria definitivamente e a partir daí nunca mais haveria morte, e todos os fiéis iriam estar, viver eternamente com o Senhor. Isto aconteceria brevemente, não passaria daquela geração? Ora, com o passar do tempo, alguns irmãos foram morrendo. Se Jesus disse, que a vida definitiva em união com Ele, não passaria aquela geração, o que aconteceria aqueles que morreram com fé no Senhor? Havia esta preocupação nas comunidades dos primeiros cristãos. Paulo vem dar resposta a isso. Ele diz: tal como Jesus morreu e ressuscitou, também Deus reunirá com Jesus, quando ele vier, todos os que morreram em união com ele. Mais, se continuarmos a ler a carta de Paulo, vemos que, como era esperada a vinda definitiva de Cristo para breve, não valia a pena fazer nada a não ser esperar. Paulo, alerta, para a necessidade de estar alerta. Mt. 25, 1-13 É nesse sentido que escreve o evangelista Mateus. Este evangelho que foi escrito depois da carta de Paulo aos tessalonicences, também escreve para os crentes que não faziam mais nada a não ser esperar passivamente pela vinda de Cristo. Não, esperar em Cristo, por Cristo, não é uma atitude passiva. Ter esperança em Cristo, a fé em Cristo é uma atitude activa. Há que no mantermos alerta, sempre alerta, como dizem os escuteiros. Mas o que significa estar sempre alerta numa atitude de constante esperança pela vinda definitiva do dia do Senhor? Jesus, tenta explicar por uma parábola. Por esta parábola que lemos hoje. Ou seja, ele não define com palavras abstractas, e pensamentos filosóficos, que ninguém entende, ele vai à realidade da vidas das pessoas para explicar o que significa ter fé e esperança nele e na vinda definitiva do Reino de Deus. Esta parábola das dez jovens/virgens, diz-nos que é necessário levar sempre azeite de reserva para manter sempre a candeia acesa durante a noite, pois não se sabe quando o Noivo irá chegar. A comparação é fácil: Os crentes, os que esperam pelo Senhor, e que neste mundo de trevas e escuridão mantém a luz da fé acesa, não podem nunca deixá-la apagar, por muito tempo que demore o Senhor a chegar. A dificuldade está em levar à prática isso. Como manter a luz/candeia acesa? O que é necessário fazer para que a luz que espera por Cristo nunca se apague e a escuridão não nos absorva, ou dito de outra forma: O que fazer para que o Senhor, não nos apanhe a dormir, quando vier salvar este mundo, quando vier dar cumprimento à nossa esperança de salvação eterna em que a nossa fé se baseia? Com se traduz na prática, no dia-a-dia, no constante da vida, essa fé e essa esperança em Cristo, essa união com Ele? Como mantermo-nos sempre alerta? Que luz é essa que nos mantém acordados? Que escuridão é essa que nos envolve e que essa luz ilumina? Amos 5, 18-24 Amós dá-nos um exemplo muito claro: Num tempo em que as práticas religiosas eram obrigatórias, prescritas pela lei de Moisés, o profeta amos denuncia claramente, que a prática da religião exterior, sem uma conversão interior, total daquele que tem fé, não faz sentido nenhum. Deus não quer isso. Faz sentido sim, que a fé se traduza muito naturalmente na prática da justiça e no que é recto. A prática da justiça e da rectidão são luzes que importa manter acesas na escuridão da injustiça. Será preciso dar exemplos? Será que todos nós não sabemos o que significa a injustiça? Para mim, talvez a maior escuridão de injustiça vivida pelo Homem hoje em dia seja o egoísmo da exploração deste mundo pelos ricos e poderosos que vivem nessa escuridão de terem e sempre quererem ter mais e não verem que ao seu lado, num qualquer lugar deste mundo, vive um ser humano como ele que com uma ínfima parte do que eles têm poderiam viver e não morrer no dia seguinte de fome. E nós, cristão, que temos e esperança em Cristo que virá um dia Salvar definitivamente este mundo, também dessa injustiça, não nos deixámos absorver por essa escuridão? Não fechámos os olhos a isso? Não nos deixámos adormecer perante a injustiça praticada pelo meu próximo, não denunciando claramente e com a coragem da nossa fé que seremos salvos, as injustiças que passam à frente dos nossos olhos? Não deixámos apagar a luz? Não, não podemos deixar de nos mantermos sempre alerta. A nossa fé faz-nos agir de acordo com a justiça e a rectidão, se assim não é, então não vale a pena ir à igreja, não vale a pena a prática exterior da religião. Não vale a pena louvar a Deus, de nada serve. Que a nossa fé, que o Cristo que nos une e que habita em nós, nos mantenha sempre alertas, com a luz sempre acesa, de modo que ainda que escuridão não nos absorva, que não durmamos, para que quando o Senhor chegar no seu Dia, ele nos ressuscite com Ele e nos faça viver eternamente com o Deus da Vida Eterna. Mantermo-nos sempre alerta, sempre na esperança e fé concretizada na prática e na denúncia da Justiça com a coragem que o Espírito do Ressuscitado no dá. E que o mundo veja em nós essa luz, para que um dia, nesse dia do Senhor, a luz vença definitivamente as trevas e todos vivamos finalmente na Luz. |