Culto dominical
25/09/2005

Pastor estagiário Pedro Brito

Meditação sobre Mateus 21, 28-32: "Os dois filhos"

“Pois eu vos afirmo que os cobradores de impostos e as prostitutas hão-de entrar primeiro que vocês no Reino de Deus”

Jesus fala de quem? Chefes dos sacerdotes e anciãos, no templo em Jerusalém (a caminho da morte?). (versículo 23). Quem são? Como eram vistos pela sociedade. E porque Jesus fala contra eles?

Cobradores de impostos e prostitutas, Quem são? Como eram vistos pela sociedade. Porque Jesus fala a favor deles?

Acreditar, que significa?

Fazer a vontade do Pai?

Arrependimento, o que leva ao…

Lei vs Graça.

Preceitos vs Liberdade.

Caminho da salvação.

Há que perceber, em primeiro lugar, a quem é que este “vocês” se refere. Temos que ir um pouco atrás neste evangelho de Mateus:

Jesus entra em Jerusalém, na parte final do seu ministério e expulsa os vendilhões do templo, e no texto imediatamente anterior ao de hoje (v.23), responde aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo. Portanto, quando Jesus diz: “os cobradores de impostos e as prostitutas entram primeiro que vocês no Reino de Deus, parece estar a referir-se especificamente aos chefes dos sacerdotes e anciãos.

Quem eram os chefes dos sacerdotes? Eram líderes religiosos do judaísmo, aqueles que em nome do povo serviam de intermediários nos sacrifícios de expiação que se tinham de oferecer a Deus no templo, segundo a lei de Moisés, eles formavam o Sinédrio, o mais alto tribunal religioso dos judeus juntamente com outros professores da lei e os anciãos. Estes anciãos a quem Jesus responde no texto anterior ao que lemos hoje, e cuja palavra grega é “presbíteros”, no tempo de Jesus, são os chefes de família, dos clãs, das sinagogas, de cada bairro ou casa. Sábios e experientes que tinham responsabilidade na organização e direcção da comunidade onde estavam inseridos. Faziam parte, como se disse no Sinédrio.

Chefes dos Sacerdotes, Anciãos eram bem vistos pela população. Eles procuravam fazer a vontade de Deus. Porque é que Jesus fala daquela maneira para eles? E diz que os cobradores de impostos e as prostitutas entram primeiro no Reino de Deus que eles?

Das prostitutas, a Bíblia quase nunca fala delas, fala sim, da prostituição sagrada ou religiosa, que é o povo prostituir-se quando procura outros deuses, sejam eles quais forem em vez de procurar o Deus Verdadeiro, o Deus único, o Deus de Abraão, de Isaac e Jacob, o Deus de Moisés, o Deus da Aliança. As prostitutas, eram mal vistas, certamente pela população, pois eram responsáveis pelo quebrar da aliança de amor de um casal.

Os cobradores de impostos eram necessários aos romanos, pois, tendo eles mais do que fazer do que cobrarem eles próprios os impostos às pessoas. Eles exigiam um imposto às autoridades locais e depois essas autoridades pagavam como queriam. Os cobradores de impostos pagavam às autoridades romanas o combinado e ficavam livres de exigir do povo o que quisessem, com a margem de lucro como quisessem.

As prostitutas e os cobradores de impostos eram muito mal visto pela população, pois certamente não faziam a vontade de Deus. Onde estava a justiça divina praticada pelos cobradores de impostos, quando eles exigiam do povo uma quantidade de dinheiro só para eles enriquecerem explorando assim as pessoas?

Onde estava o amor de Deus praticado pelas prostitutas, quando elas ofereciam os seus corpos aqueles que lhes desejassem pagar para adquirir prazer sexual sem amor, amor dos casais que ficava assim destruído por aquela relação de puro prazer carnal sem mais nada?

Praticantes da injustiça, destruidoras de amor conjugal…e no entanto, Jesus diz que os cobradores e as prostitutas entram primeiro no Reino de Deus do que os sacerdotes, os anciãos, os que praticam a justiça, os que procuram fazer a vontade de Deus. Como é que é possível, acreditar num Jesus, que diz uma coisa destas? Um Jesus cujo Reino que prega é justiça, verdade e amor?

As palavras-chaves para entrar no que Jesus nos quer dizer são: Arrependimento e acreditar.

O primeiro filho recusou-se a trabalhar para a vinha do pai, mas depois, arrependeu-se e foi, fez a vontade do pai. O segundo, disse que ia trabalhar e depois acabou por não ir, por não fazer a vontade do pai.

Jesus diz que os principais dos sacerdotes e os anciãos entram depois dos cobradores de impostos e das prostitutas no Reino de Deus, porque sendo Os Eleitos, os importantes na sociedade, da religião, os bem vistos pelo povo, pois eles procuravam ao máximo cumprir a lei de Moisés e exigir ao povo que a cumpra, esquecem-se se calhar que também eles são incumpridores. Quem não peca? Quem não é pecador? Quem cumpre os mandamentos de Deus de forma perfeita, completa e irrepreensível?

Jesus um dia respondeu desta maneira, quando lhe perguntaram qual era o maior mandamento da lei:

“Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” (Mt. 22, 35-40).

Ao terminar desta maneira a sua resposta, Jesus está a dizer, que não são mais dois mandamentos como os outros que aparecem na Bíblia, são Os mandamentos, os que guia, que inspira todos os outros mandamentos, toda a lei de Deus, toda a vontade de Deus, toda a relação que ele tem com o ser humano.

E quem cumpre estes dois mandamentos? Quem ama a Deus de toda a alma e coração e entendimento? Quem ama o próximo com a si mesmo? S. Agostinho dizia: “Ama e faz o que queres” Mas quem nunca na sua vida pecou? Quem amou sempre e tão profundamente a Deus e ao próximo que possa dizer que fez sempre a vontade de Deus. Ninguém, a não ser…Jesus Cristo.

Portanto, os chefes dos sacerdotes e o anciãos, também pecavam, eles, os eleitos do povo de Deus, sabiam o pecado que não podiam cometer, a lei de Moisés os dizia, mas pecavam, eles e o resto do povo e portanto estavam assim, para toda a vida prisioneiros, escravos do pecado, que só podiam expiar, fazendo sacrifícios no templo. Talvez, até eles soubessem que pecavam e por isso faziam as suas ofertas de sacrifício no templo, mas será que se arrependiam mesmo? Talvez fizessem a diferenciação entre eles que pecavam, mas que não eram pecadores, pois eram eleitos e os que pecavam constantemente e portanto eram os pecadores: os cobradores de impostos e as prostitutas. Mas todos pecavam, e sentiam o fogo da angústia de sempre nalguma circunstância da sua vida ser infiel às leis de Deus que só podiam expiar, por um gesto exterior num sacrifício no templo.

Não, Jesus vem dizer que todos somos pecadores e no entanto todos somos eleitos, todos somos santos, pois estamos debaixo da graça de Deus, a graça de Jesus Cristo que  habita em nós por meio da fé.

Isto significa o quê?

Significa que Cristo nos libertou e liberta da lei do pecado.

Como? Verdadeiramente arrependendo-nos e acreditando.

Arrependimento significa olhar para dentro de nós, de cada um de nós e olhar para dentro deste universo e ver se realmente Deus continua a habitar dentro da humanidade, ou se já o expulsámos da nossa vida; Se vemos o fogo do amor, que faz vivas todas as coisas ainda acesso ou se o deixamos apagar e a escuridão reina;

Arrependimento significa simplesmente abrir o centro do nosso ser, o nosso coração para que Deus volte a habitar dentro de nós. Significa atear esse fogo do amor de Deus que nunca se apaga, para a Sua Luz brilhe nos confins do Universo.

Arrependimento significa sermos portadores desse brilho quando um outro ser humano chega até nós transportando nele a sede da reconciliação; significa partilhar com esse outro a reconciliação já obtida pelo perdão que Deus nos deu. 

Acreditar significa aceitar que seguir o mandamento do amor a Deus e ao próximo é possível, pois Jesus Cristo o veio demonstrar em toda a sua vida e morte; significa que o pecado e a morte não vencerão pois com Jesus, não venceram, que Jesus acreditou até ao fim que o amor venceria e venceu, pois ele ressuscitou e está vivo;

Significa simplesmente pôr todo o meu ser à disposição desse amor do ressuscitado, de modo a que não peque mais, mas que ame, sempre.

Significa que eu só por mim, pelas minhas forças ou méritos não consigo deixar de pecar, cumprir a vontade de Deus, o seu mandamento de Amor, mas o Espírito do ressuscitado me dá essa força.

Significa, que ainda que eu peque, ainda que haja alturas na vida em que não consiga corresponder ao amor sempre doador de Deus, ele tem sempre os braços abertos, como o seu filho na cruz, para que me abrace e a partir desse momento não peque mais.

Significa, que também eu, pelo perdão que Deus me deu, perdoe os meus irmãos, pois eles não são piores que eu, nem mais pecadores, nem menos santos, para que assim a vida eterna, o amor de Deus, vindo à nós em nosso Salvador Jesus Cristo finalmente vença e um dia todo o universo finalmente verdadeiramente livre possa dizer: Acredito!